
NOVA INDEPENDÊNCIA - A trajetória do jovem atleta Diego Henrique Souza da Silva, de 22 anos, é motivo de orgulho para Nova Independência. Atualmente defendendo a equipe Livyi Bereh, da Ucrânia, o meia-campista está passando férias ao lado dos familiares em sua cidade natal durante a pausa das competições internacionais.
Nesta sexta-feira,19, Diego esteve nos estúdios da Rádio Independência FM, onde concedeu entrevista ao jornalista Sidnei Ferreira no Jornal da Cidade. Em um bate-papo descontraído, o atleta relembrou toda a sua caminhada, desde os tradicionais campinhos de futebol da "Vila", como Nova Independência é carinhosamente conhecida pelos antigos moradores, até chegar ao futebol europeu.
PRIMEIROS PASSOS: Segundo Diego, os primeiros passos no esporte aconteceram sob a orientação dos treinadores Denis, Valmirzão, Boca e Marcelo. Ainda adolescente, participou de duas edições da Copa Mercosul representando Nova Independência, além dos campeonatos municipais.
O talento chamou atenção cedo. Aos 10 anos, participou de uma avaliação no São Paulo Futebol Clube. Durante um período, viajava a cada três meses para monitoramentos na capital paulista, vivendo suas primeiras experiências em um grande clube.
Posteriormente, ingressou nas categorias de base do Grêmio Novorizontino, onde continuou seu desenvolvimento. Na sequência, foi para o time sub-20 do Cruzeiro Esporte Clube, período marcado pelas dificuldades da pandemia de Covid-19.
PROFISSIONALIZAÇÃO: Após retornar ao Novorizontino, Diego deu o passo rumo ao profissionalismo defendendo o Clube Atlético Taquaritinga na tradicional "Bezinha", competição equivalente à Segunda Divisão do Campeonato Paulista. Atuando como meia e também avançando ao ataque, chamou atenção pelas boas atuações.
Seu empresário, Guilherme Alcântara, que o acompanha desde o início da carreira, foi fundamental em sua evolução, abrindo portas em diversos clubes. Diego ainda teve passagem pelo Comercial Futebol Clube, disputando a Série A2 do Campeonato Paulista, antes de retornar ao Taquaritinga para a disputa da Copa Paulista.
Foi justamente nessa competição que viveu um dos melhores momentos da carreira até então. Com grandes atuações, despertou o interesse do futebol internacional. Pouco tempo depois, recebeu a notícia de que um clube da Ucrânia queria contratá-lo.
FUTEBOL EURUPEU: A proposta trouxe dúvidas. A distância, a guerra enfrentada pelo país e a primeira viagem internacional sozinho geraram insegurança. Porém, o apoio da família foi decisivo.
"Minha mãe e meu irmão me incentivaram muito. Eles me deram força para aceitar esse desafio", destacou.
A chegada ao leste europeu não foi simples. Sem dominar o idioma local, precisou utilizar aplicativos de tradução para se comunicar. Também enfrentou dificuldades com o fuso horário de seis horas em relação ao Brasil, o que dificultava o contato com os familiares.
Outro desafio foi a alimentação.
"Lá eles não têm o costume de comer arroz e feijão como nós. Gostam muito de sopas. Foi uma adaptação difícil", contou.
O frio intenso também marcou sua chegada ao país. Segundo ele, uma das maiores dificuldades foi justamente acostumar-se às baixas temperaturas.
Hoje, Diego tem a companhia de dois companheiros brasileiros no clube e conta com um tradutor disponibilizado pela equipe. Com o passar do tempo, já consegue se comunicar em algumas situações utilizando o idioma russo, amplamente falado na região.
ADAPTAÇÃO: Chegando à Ucrânia em 2025, encontrou um futebol muito físico e intenso, exigindo um período de adaptação. Atualmente disputa a Ukrainian Premier League e a Copa da Ucrânia. Dependendo da classificação da equipe, poderá disputar competições continentais como a UEFA Champions League, UEFA Europa League e UEFA Conference League.
Durante a entrevista, Diego também falou sobre um dos momentos mais emocionantes vividos no futebol ucraniano. Antes de cada partida, os jogadores entram em campo carregando a bandeira da Ucrânia sobre os ombros e permanecem assim durante a execução do hino nacional.
Segundo ele, trata-se de uma demonstração de união e resistência em um país que ainda enfrenta os impactos da guerra. Em algumas ocasiões, inclusive, treinamentos e partidas precisam ser interrompidos devido aos alertas de segurança.
Morando em Kiev, capital ucraniana, Diego afirma que, nos momentos de folga, gosta de conhecer novos lugares. Apesar das dificuldades enfrentadas pelo país, destaca as belezas naturais, os rios, praias e pontos turísticos da região.
CONTERRÂNEOS: O atleta também relembrou a convivência que teve com o meia Danielzinho, morador da “vila”, mas que atualmente está no São Paulo F.C. Ambos defenderam o Novorizontino no mesmo período. Embora Diego atuava no sub-20, frequentemente treinava com o elenco profissional onde teve a oportunidade de compartilhar experiências em campo com Danielzinho.
Ao final da entrevista, Diego deixou uma mensagem para as crianças e adolescentes que sonham em seguir carreira no futebol.
"Tenham disciplina, dedicação e nunca desistam dos seus sonhos. O caminho não é fácil, mas com trabalho e persistência as oportunidades aparecem."
A história de Diego Henrique é a prova de que talento, esforço e perseverança podem levar um jovem dos campinhos de Nova Independência aos gramados do futebol internacional.




